Análise
Inglaterra 2026: a Tuchel deixou Phil Foden e Cole Palmer fora — e é uma aposta enorme
07 de junho de 2026

Há 60 anos que a Inglaterra não vence um Mundial. 2026 é a tentativa número 16 desde 1966. Tuchel chega ao cargo em 2024, é alemão, é o primeiro treinador estrangeiro permanente da seleção inglesa, e fez a convocatória mais drástica das últimas décadas.
Phil Foden, Cole Palmer, Trent Alexander-Arnold, Harry Maguire — fora dos 26. Quatro jogadores que seriam titulares na maioria das seleções da Europa, eliminados do plantel pelo treinador.
A pergunta: é a aposta certa, ou o erro fatal?
A jogada Tuchel
Tuchel não vem da escola inglesa. Vem de Bayern, PSG e Chelsea — clubes onde tomou decisões impopulares e foi demitido por isso. A sua filosofia: o coletivo come o individual. Quem não encaixa no sistema, sai. Independentemente do nome.
Foden e Palmer não encaixavam. Foden é jogador de ala-criador na City; Tuchel quer 8s puros no meio-campo. Palmer joga atrás do avançado no Chelsea; a estrutura inglesa não tem essa posição livre. Decisão coerente do ponto de vista tático. Mas no plano da opinião pública, catastrófica.
Esta é a primeira convocatória de Mundial de uma Inglaterra que deixa de fora o Bola de Ouro virtual da Premier League (Palmer foi o melhor jogador inglês de 2024-25). Pode ser clarividência ou arrogância táctica.
A aposta no Bellingham
Jude Bellingham ocupa o lugar de número 10. Joga o seu segundo Mundial (não jogou em 2022 com 19, mas esteve no Euro 2024).
A leitura entre linhas, segundo a Sky Sports: Tuchel nem sempre confiou em Bellingham. Em jogos de preparação, o jogador esteve fora ou no banco. Mas em Mundial, é o melhor jogador inglês a 95%. E em jogos grandes, o Bellingham aparece quase sempre.
A pergunta: Tuchel vai libertá-lo (papel livre, sem responsabilidades defensivas) ou forçá-lo a defender? A história mostra que Bellingham é melhor quando lhe dão liberdade. Tuchel é treinador que prefere disciplina coletiva. Vai haver tensão.
A maldição dos penaltis
A Inglaterra perdeu nos penaltis:
- 1990 (meias contra Alemanha)
- 1996 Euro (meias contra Alemanha)
- 1998 (oitavos contra Argentina)
- 2004 Euro (quartos contra Portugal)
- 2006 (quartos contra Portugal)
- 2012 Euro (quartos contra Itália)
- 2024 Euro (final contra Espanha)
7 das últimas grandes meias-decididas a penaltis. É uma maldição estatística que vai acontecer outra vez em 2026 se algum jogo for à decisão. O Cole Palmer era o melhor batedor de penaltis da equipa. Está fora. Outro motivo para criticar Tuchel se sair nas eliminatórias.
O Grupo L
Inglaterra caiu no Grupo L com Croácia, Panamá e Gana.
| Jogo | Local | Data |
|---|---|---|
| Inglaterra vs Croácia | AT&T Stadium (Dallas) | 17 jun |
| Inglaterra vs Panamá | Boston | 23 jun |
| Inglaterra vs Gana | Nova Jérsia | 27 jun |
- Croácia — terceira em 2022, finalista em 2018. Modrić aos 40 ainda joga? Provavelmente sim. Adversário sério, com a geração jovem (Sucic, Vlasic) a entrar
- Panamá — segunda vez no Mundial. Não dá nada
- Gana — fisicamente intensa, talento individual com Williams brothers. Não-favorita mas pode complicar
Apurar é o esperado. Primeiro lugar contra Croácia é o jogo de identidade do torneio.
A minha previsão
Meias-finais é o patamar realista. Final seria libertador. Vencer = milagre histórico que dura uma geração.
Tuchel tem talento, sistema e calendário. Mas tem contra ele:
- A falta de Palmer/Foden na criação ofensiva
- A maldição dos penaltis quando o jogo aperta
- A tensão com Bellingham se não der liberdade
- A pressão psicológica de carregar 60 anos de derrotas
Se vencer a Croácia com fluência na 1.ª jornada, sinal verde. Se sofrer ali, a campanha pode ser mais curta do que se espera.
Para o palpiteiro: a Inglaterra é pick interessante. Apostar nela para chegar às meias-finais pode pagar pontos diferenciais se confiares no Tuchel. Apostar contra é mais seguro estatisticamente.
A 17 de junho em Dallas, o teste começa.
Fontes: