Análise
França 2026: o último torneio de Deschamps, com Mbappé a caçar recordes
03 de junho de 2026

Em 2012, Didier Deschamps assumiu a seleção francesa. Em 2018, ganhou o Mundial. Em 2022, perdeu a final por penaltis. Em 2026, vai-se embora.
A despedida está marcada. Deschamps anunciou em 2025 que este é o último torneio. 14 anos no comando, a era mais longa de qualquer treinador francês, termina entre 11 de junho e 19 de julho.
A questão: sai pela porta grande?
A vantagem que a França tem
A geração atual francesa é, objetivamente, a mais talentosa do mundo neste momento:
- Kylian Mbappé (27) — capitão, a caçar o recorde de Olivier Giroud como melhor marcador francês de sempre
- Ousmane Dembélé — Bola de Ouro 2024, no auge
- Désiré Doué, Michael Olise, Rayan Cherki, Maghnes Akliouche — segunda camada que seria titular em metade das seleções da Europa
A profundidade é tal que Eduardo Camavinga e Randal Kolo Muani ficaram de fora dos 26. Para uma seleção, ter jogadores deste nível na lista de não convocados diz tudo.
Deschamps tem ainda a vantagem do calendário: a França foi sorteada num grupo objetivamente acessível, sem armadilhas óbvias.
O dilema Deschamps
Mas Deschamps é também a principal limitação tática desta equipa.
Em 2022, a França chegou à final com futebol reativo: defender em bloco, contra-atacar com Mbappé. Eficiente quando o adversário ataca; falha contra equipas que se fecham (e em 2026, com o aumento de seleções de nível inferior técnico, mais adversários vão fechar).
Em Mundial com 48 seleções, há mais jogos contra equipas estilo Marrocos 2022 (bloco baixo, transição mortífera) e menos contra adversários ousados. Deschamps pode estar a herdar o problema errado para o seu estilo.
A pergunta é: vai ele mudar o estilo agora, no último torneio? A resposta histórica é não. Deschamps repete o que funciona, e nas margens é onde ele perde — não no centro.
A questão Mbappé
O capitão entra no seu terceiro Mundial com:
- A possibilidade de bater o recorde francês de golos em seleção
- Uma revanche pessoal pela final perdida em 2022 contra a Argentina
- A estatura de melhor jogador da geração a confirmar no maior palco
Há um sub-enredo importante: Mbappé não decidiu uma fase final desde 2022. As Euros 2024 não correram bem para ele individualmente. Há pressão para entregar agora ou nunca.
Se ele aparecer, a França chega à final. Se não — território de quartos.
O Grupo I
França caiu no Grupo I com Senegal, Iraque e Noruega.
| Jogo | Data |
|---|---|
| França vs Senegal | 16 jun |
| França vs Iraque | 22 jun |
| França vs Noruega | 26 jun |
- Senegal — campeã africana 2022, fisicamente intensa, com Sadio Mané. Adversário real
- Iraque — primeira fase final de Mundial desde 1986. Sem histórico recente
- Noruega — primeira vez no Mundial desde 1998. Com Erling Haaland. O jogo a ver: poucos atacantes do planeta podem fazer mossa à defesa francesa, mas Haaland é um deles
Apurar em primeiro é esperado. Mas o jogo contra a Noruega pode ser a primeira surpresa do Mundial 2026.
A minha previsão
Final é o patamar justo. Vencer é objetivo histórico.
A leitura: a França chega à final com alta probabilidade — apura sem problemas, ganha 16-avos e oitavos com folga, sofre nos quartos mas resolve com qualidade individual. Aí cai o sorteio das meias — e tudo dependerá do oponente.
Para o palpiteiro: a França é o cavalo mais seguro fora da Argentina. Apostar no Mbappé como top scorer pode pagar bem — em Mundial, ele já marcou em todas as edições recentes.
Vai a /predictions — multiplicador desce a cada dia que passa.
A 16 de junho, a despedida de Deschamps começa.
Fontes: