Análise
Cristiano voltou a fazer dois e a Inglaterra foi empatada pelo Gana
24 de junho de 2026

Foi a noite em que Portugal respondeu a tudo o que ficou por dizer depois do empate com a RD Congo. E foi também a noite em que o Gana fez parar a Inglaterra.
Houve dois jogos mais discretos na madrugada, com a Croácia e a Colômbia a confirmarem que ainda têm tudo nas mãos.
Portugal 5-0 Uzbequistão
No NRG Stadium, em Houston, a seleção de Roberto Martínez entrou determinada a desfazer dúvidas. E desfez.
Cristiano Ronaldo fez dois golos e voltou a lembrar a Europa porque continua a ser o capitão e o homem-bandeira desta geração. Nuno Mendes apontou outro, num lance de bola parada que parecia ensaiado, e Rafael Leão entrou cedo do banco e ainda fez a sua parte na noite. Bruno Fernandes e João Cancelo deixaram a sua marca nas assistências, e a goleada acabou nos cinco golos sem grande discussão.
A leitura é a de uma equipa que finalmente acordou. O Uzbequistão não teve resposta para a velocidade dos extremos portugueses, e o meio-campo de Bruno e João Neves controlou o jogo de fio a pavio.
Roberto Martínez sai daqui com a tranquilidade de quem confirmou o que se esperava e com Portugal de novo a olhar para o primeiro lugar do grupo. Há quem se atreva já a sonhar.
Inglaterra 0-0 Gana
No Gillette Stadium, em Foxborough, deu-se a surpresa do dia.
O Gana segurou o 0-0 contra uma Inglaterra que entrou em campo confiante depois do 4-2 sobre a Croácia. Não foi por acaso. Os Black Stars defenderam compacto com método e nunca renunciaram a sair a jogar pelo flanco quando os ingleses se desorganizavam.
A Inglaterra de Tuchel encontrou um adversário que sabia exactamente onde se queria fechar. Harry Kane teve momentos, mas as melhores ocasiões da equipa morreram ao primeiro toque. O Gana podia mesmo ter vencido, com uma transição já no apito final que Inácio Williams desperdiçou.
Para Otto Addo, o treinador ganês, foi um sinal claro de uma equipa que está a crescer com personalidade. Para Tuchel é tempo de pensar como acordar o ataque antes da última jornada dos grupos.
Panamá 0-1 Croácia
No BMO Field, em Toronto, a Croácia fez o que tinha de fazer para recuperar do tropeção contra a Inglaterra.
Ante Budimir marcou o único golo do jogo, com assistência de Josip Stanišić, num lance trabalhado pelo flanco direito. O Panamá ainda tentou, mas a estrutura defensiva croata mostrou que ainda há ofício de sobra naquela geração que está a renovar-se.
Para a Croácia, três pontos que mantêm tudo em aberto. Para o Panamá, a saída do Mundial fica praticamente confirmada, depois de duas derrotas em dois jogos.
Colômbia 1-0 RD Congo
No Estadio Akron, em Guadalajara, Daniel Muñoz voltou a aparecer no sítio certo.
O lateral direito da Colômbia decidiu o jogo num lance servido por Juan Quintero, num remate vindo da segunda linha que apanhou a RD Congo a defender alto. Foi mais um golo de uma equipa que tem em Muñoz um terceiro avançado em forma de defesa.
Foi um jogo controlado, com a Colômbia a saber gerir o ritmo e a aproveitar a primeira boa oportunidade. A RD Congo lutou, com Wissa e Masuaku a procurarem as transições rápidas que tinham funcionado contra Portugal, mas a Colômbia de Néstor Lorenzo não cedeu o controlo em nenhum momento.
Esta Colômbia tem agora seis pontos em dois jogos e está a tornar-se candidata a chegar pelo menos aos quartos. A RD Congo precisa de fazer contas e esperar pelo último jogo.
Daqui a horas começa a última jornada dos grupos, e quem ainda anda a montar a sua equipa tem material para decidir o capitão. Cristiano voltou ao plano, e há defesas como Daniel Muñoz a continuar a marcar com regularidade.
Há sempre aquela hesitação de gastar a transferência num nome em forma. Mas é nessas pequenas escolhas que se separam os plantéis que vão durar dos que ficam pelo caminho.
Até amanhã.