Análise
Cabo Verde voltou a fazer história e a Espanha brilhou em Atlanta
22 de junho de 2026

Cabo Verde voltou a ser a notícia da noite, e já não é por acaso. O 2-2 com o Uruguai junta-se ao 0-0 com a Espanha numa coleção de pontos que ninguém esperava da estreante.
A Espanha, essa, finalmente mostrou contra a Arábia Saudita o futebol que toda a gente queria ver. Houve ainda um suspense incómodo a sair da Bélgica, e Mohamed Salah a aparecer para colocar o Egito em rota de colisão com qualquer um.
Uruguai 2-2 Cabo Verde
No Hard Rock Stadium, em Miami, Cabo Verde voltou a fazer aquilo a que já está a habituar-nos.
Hélio Varela e Kevin Pina marcaram pelos cabo-verdianos, num jogo em que a equipa de Bubista jogou de igual para igual com a celeste. Pelo Uruguai, Matías Araújo fez um e criou outro, e Agustín Canobbio também apareceu na ficha.
A leitura tática é evidente. Cabo Verde não está aqui por acaso. Joga compacto e tem em Hélio Varela e Kevin Pina dois homens que sabem onde fica a baliza. Já leva dois pontos contra Espanha e Uruguai juntos, números que ninguém esperava antes do Mundial começar.
Para o Uruguai começa a soar o alarme. Marcelo Bielsa vai ter de explicar como é que uma equipa do seu calibre desperdiçou dois pontos contra os estreantes, e o cruzamento dos oitavos pode ficar mais complicado do que o esperado.
Espanha 4-0 Arábia Saudita
No Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, a Espanha entrou no jogo decidida a mostrar que o empate com Cabo Verde tinha sido apenas isso, um empate.
Mikel Oyarzabal fez dois golos e ainda assistiu outro, numa exibição cirúrgica que valeu pela frieza com que decidiu cada lance. Lamine Yamal apontou outro, no género que já lhe conhecemos, e a Espanha ainda chegou ao quarto golo num jogo que nunca esteve em dúvida. Aymeric Laporte e Dani Olmo deixaram a sua assinatura nas assistências.
A Arábia Saudita pareceu pequena de mais para este palco. Há quem se questione se Hervé Renard ainda consegue puxar dela alguma coisa antes da última jornada, mas o que se viu ontem foi uma equipa rendida ao plano espanhol.
A leitura é a de que esta Espanha, quando quer, ainda joga acima de qualquer outra coisa que esteja aqui no Mundial. Está agora ao alcance do primeiro lugar do grupo, e os candidatos sérios começam a ficar nervosos.
Bélgica 0-0 Irão
No SoFi Stadium, em Los Angeles, a Bélgica continuou a procurar-se. Sem encontrar.
Outro 0-0, agora frente a um Irão organizado e paciente, num jogo em que os belgas terminaram com dez jogadores depois da expulsão a Nampalys Ngoy. Romelu Lukaku viu amarelo e andou perdido entre linhas, sem nunca encontrar a bola limpa que precisava.
O problema da Bélgica passou a ser mais do que a falta de golos. É a sensação de equipa cansada e sem ideias claras no último terço. Domenico Tedesco vai ter de inventar alguma coisa antes da terceira jornada, porque o Irão soube fechar-se com método e percebeu cedo que tinha o jogo controlado.
Ainda há matemática para os belgas, mas começa a faltar margem. E é nestes jogos que se vê o quanto De Bruyne fez falta nas últimas convocatórias.
Nova Zelândia 1-3 Egito
No BC Place de Vancouver, Mohamed Salah finalmente apareceu.
O capitão egípcio marcou um golo e fez uma assistência. Mostafa Zico somou outro tanto e Trézéguet, lançado cedo do banco, também marcou. Pelos neozelandeses, Francis Surman entrou na ficha com assistência de Themistoklis Payne.
O Egito de Hossam Hassan é uma equipa que ainda não é o que pode ser, mas com Salah neste registo passa a ser candidata a complicar a vida a qualquer um. A Nova Zelândia jogou bem em períodos longos, mas ficou claro que o talento individual fez a diferença num jogo em que o desejo, por si só, não chegava.
Daqui a horas começa a terceira jornada dos grupos, e quem ainda anda a montar a sua equipa tem material novo para decidir o capitão. Salah e Oyarzabal entraram na conversa, e Cabo Verde está a tornar-se a pechincha do Mundial.
Há sempre aquela vontade de gastar a transferência grátis num nome em forma. Mas é nessas pequenas escolhas que se separam os plantéis que vão durar dos que ficam pelo caminho.
Até amanhã.