Análise
Hat-trick de Jonathan David na noite em que os anfitriões mostraram cara
19 de junho de 2026

Há jornadas em que se nota quem joga em casa. Esta foi uma delas.
Entre Atlanta, Los Angeles, Vancouver e Guadalajara, foram quatro encontros e dois recados claros para o resto do Mundial. Os anfitriões vieram para arrumar a casa, e há uma geração nova a aparecer com vontade de fazer barulho.
Chéquia 1-1 África do Sul
No Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, terminou empatado um jogo nervoso e bem disputado.
Michal Sadílek marcou pela Chéquia, com assistência de Adam Sojka, e Teboho Mokoena fez o golo dos sul-africanos. Foi um confronto físico, de espaços fechados, com a posse a circular sem ferir.
A leitura é a de uma África do Sul que sabe levantar o estilo dos adversários europeus e leva o jogo para um terreno em que se sente mais confortável. Já confirmaram o que mostraram no arranque do Mundial.
A Chéquia desperdiçou a oportunidade de garantir três pontos contra um adversário em teoria mais frágil, e arrisca-se a chegar à última jornada dos grupos sem margem de erro.
Suíça 4-1 Bósnia e Herzegovina
No SoFi Stadium em Los Angeles, a noite foi suíça e teve nome próprio.
Joel Manzambi fez dois golos numa exibição que valeu por si só, e Granit Xhaka apareceu mais uma vez como o líder calmo que estávamos à espera. Ruben Vargas marcou um e ainda criou outro, e Breel Embolo serviu de bandeja para o quarto.
Pelo lado bósnio entrou na ficha Ermin Mahmic, e a equipa ainda jogou os últimos dez minutos com dez jogadores depois de Tarik Muharemovic ver vermelho.
Esta Suíça mistura experiência com talento jovem de um modo que tornou o resultado quase inevitável. A Bósnia está num momento de transição, e contra os medalhados da casa não conseguiu disfarçar a diferença de balanço.
Canadá 6-0 Qatar
O BC Place de Vancouver vestiu-se de vermelho para ver os anfitriões a passar a sua mensagem.
Jonathan David fez um hat-trick numa noite de carreira, Niko Saliba juntou um golo e uma assistência, e Cyle Larin também marcou. Faltou um nome na ficha técnica para fechar o 6-0, mas a mensagem foi clara.
O Qatar ficou reduzido a nove jogadores depois de duas expulsões muito antes do intervalo, e o resto foi uma demonstração de classe canadiana num jogo que nunca chegou a ser jogo.
Para o Canadá há aqui muito mais do que três pontos. Há a certeza de que esta equipa pode incomodar quem espera apenas anfitriões simpáticos. Para o Qatar é a hora de fechar contas e tentar guardar algum orgulho no jogo decisivo.
México 1-0 Coreia do Sul
O Estadio Akron, em Guadalajara, encheu-se para ver os mexicanos a meter o pé na porta da fase seguinte.
Luis Romo apontou o único golo do jogo, num lance bem trabalhado pelo meio-campo. A Coreia do Sul dominou a posse de bola em momentos longos, com Lee Kang-In sempre a aparecer entre linhas, mas faltou-lhe o lance de decisão no último terço.
O México de Javier Aguirre joga a cinquenta por cento da intensidade que pode ter, e ainda assim chega ao resultado. É o tipo de equipa que vai crescendo conforme o torneio aperta. A Coreia do Sul perdeu uma oportunidade que parecia mais fácil no papel do que foi em campo.
Daqui a horas começa o resto da segunda jornada, com mais quatro jogos pela frente. Para quem está a montar a sua equipa, o nome de Jonathan David é o primeiro a saltar à vista, mas Joel Manzambi pode ser a pechincha do Mundial.
Há sempre aquela vontade de gastar a transferência grátis num nome que esteve em destaque. Mas é nessas pequenas decisões que se separam os plantéis que vão durar das equipas que ficam pelo caminho.
Até amanhã.