Análise
Cabo Verde travou a Espanha numa noite de pesadelo para os favoritos
16 de junho de 2026

Se há noite que vai dar que falar nestes primeiros dias de Mundial, foi esta. Os favoritos entraram em campo à espera de somar e saíram quase todos a contar pontos perdidos. E no meio disso houve uma história que sabe especialmente bem por estes lados.
Espanha 0-0 Cabo Verde
Ninguém esperava, e talvez seja por isso que é tão bonito. Cabo Verde aguentou a Espanha no Mercedes-Benz Stadium e levou de Atlanta um ponto que vale uma vida. Um arquipélago de meio milhão de habitantes, a primeira presença num Mundial ainda fresca na memória, a olhar de igual para igual para uma das máquinas do futebol europeu. A fúria espanhola bateu e voltou a bater, mas encontrou sempre uma muralha pela frente, com o guarda-redes Vózinha a agigantar-se sempre que foi preciso. Para os adeptos lusófonos, foi uma noite de encher o peito.
Bélgica 1-1 Egito
A Bélgica também não teve a noite que imaginava. Em Seattle ficou-se por um 1-1 com o Egito, e o golo egípcio teve a mão de quem se esperava: Mohamed Salah serviu Emam Ashour para calar o Lumen Field. Os Diabos Vermelhos ainda chegaram ao seu golo, mas saíram com a sensação de que isto vai ser bem mais difícil do que o cartaz prometia.
Arábia Saudita 1-1 Uruguai
Há quatro anos a Arábia Saudita já tinha dado uma lição ao mundo num Mundial, e voltou a mostrar que não tem medo de nomes. Segurou o Uruguai num 1-1 em Miami, com o defesa Abdulelah Al Amri a marcar e Mathías Araújo a fazer o golo da Celeste. Mais um candidato a sair do relvado a coçar a cabeça.
Irão 2-2 Nova Zelândia
A madrugada fechou com o jogo mais doido. A Nova Zelândia arrancou um 2-2 ao Irão no SoFi Stadium graças a um bis de Eli Just, com Chris Wood a servir nas duas jogadas. O Irão respondeu por Ramin Rezaeian e Mehdi Mohebi, mas não conseguiu segurar os All Whites, que provaram que vieram para competir.
No fim da noite, ficaram dois grupos inteiros com todas as seleções empatadas a um ponto, e a sensação de que este Mundial de 48 não vai ter compaixão por ninguém, por maior que seja o nome na camisola. Quem anda a montar a sua equipa já percebeu o recado destas primeiras jornadas: os guarda-redes e os defesas das seleções mais modestas têm dado tanto que se tornaram o melhor segredo de quem não quer gastar tudo no ataque. As escolhas para a próxima jornada já estão abertas, para quem quiser ajustar a tempo.
Amanhã há mais.