Análise
A Alemanha fez sete, mas quem comoveu foi Curaçao
15 de junho de 2026

Houve noites neste Mundial em que os mais pequenos mandaram. Ontem foram os grandes a falar mais alto, com a Alemanha e a Suécia a golear. Mas se há uma imagem para guardar desta jornada, ela pertence a uma ilha caribenha que esperou a vida inteira por um momento assim.
Alemanha 7-1 Curaçao
A Alemanha fez sete e passou por cima do Curaçao no NRG Stadium com a calma dos dias bons. Kai Havertz fez dois golos, Jamal Musiala jogou à vontade dele, e até os centrais quiseram a sua parte, com Nico Schlotterbeck e o defesa Brown a marcarem de trás. O melhor de todos saiu do banco: Deniz Undav entrou e, em pouco mais de vinte minutos, deixou um golo e duas assistências, com Joshua Kimmich a mandar no meio-campo como quem não se cansa nunca. A seleção que andou anos a remendar-se voltou a parecer a Alemanha de sempre.
Ainda assim, quem aquece o coração é o outro lado. O Curaçao é uma ilha das Caraíbas com pouco mais de cem mil habitantes, a nação mais pequena que alguma vez pisou um Mundial. Levou sete e mesmo assim viveu o seu instante eterno quando Livano Comenencia bateu a baliza alemã. Para uma ilha daquele tamanho, um golo destes chega para encher conversas durante uma geração. O resultado magoa, mas a noite ficou marcada por aquele festejo, não pelos sete que sofreu.
Países Baixos 2-2 Japão
Enquanto os grandes goleavam, o Japão dava a aula de coragem da jornada. No AT&T Stadium agarrou-se aos Países Baixos e saiu com um 2-2 que vale por uma vitória. Virgil van Dijk e Crysencio Summerville marcaram pelos holandeses, Keito Nakamura e Daichi Kamada fizeram os golos japoneses. Os Samurais Azuis já tinham mostrado noutros Mundiais que não se encolhem diante de ninguém, e voltaram a prová-lo, deixando a laranja mecânica a coçar a cabeça.
Suécia 5-1 Tunísia
Em Monterrey, a Suécia soltou tudo o que andava guardado. Alexander Isak e Viktor Gyökeres, a dupla que faz salivar meia Europa, combinaram-se para desfazer a Tunísia, e o jovem Yasin Ayari ainda lhes roubou as atenções com dois golos de sonho. Cinco a um, primeiro lugar no grupo e a garantia de que esta Suécia não veio para passear. À Tunísia, que ainda festejou por Omar Rekik, ficou uma noite para esquecer depressa.
Costa do Marfim 1-0 Equador
O jogo mais equilibrado guardou o desfecho mais suado. Em Filadélfia, a Costa do Marfim bateu o Equador por 1-0, com Amad Diallo a entrar do banco e a resolver, servido por Wilfried Singo. Uma baliza a zero, três pontos no bolso e mais uma prova de que África veio a este Mundial para dar trabalho aos do costume.
No fim de contas, foi mais uma noite a confirmar o que estas primeiras jornadas vêm dizendo: o protagonismo anda repartido por gente que poucos esperavam. Um médio sueco quase anónimo, um central alemão, as defesas baratas da Costa do Marfim. Quem andou atento a estes nomes saiu a ganhar, e quem gosta de se meter no jogo de montar a sua própria equipa já percebeu que o segredo está em olhar para onde mais ninguém olha. As escolhas para a próxima jornada já estão abertas, para quem quiser afinar alguma coisa antes do próximo apito.
Amanhã há mais.