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Portugal fica pelo caminho em Dallas

07 de julho de 2026

Ficou por aqui.

Não era assim que a história tinha de acabar, e no entanto acabou. Portugal saiu do Mundial na segunda-feira à noite, sem festa, sem prolongamento, sem penaltis, sem sequer o alívio de um empate a levar-nos até ao dia seguinte. Foi um golo no fim, foi o adversário do lado de lá da fronteira, e foi o silêncio no autocarro a caminho do hotel.

Não há muito para dizer nas primeiras horas. Só há a espera até doer menos.

Portugal 0-1 Espanha

No AT&T Stadium, em Dallas, quase 80.000 pessoas ainda acreditavam. Tinha havido cânticos toda a noite. Roberto Martínez arrumou a equipa como quem sabia que este era um jogo para segurar até tarde e depois arriscar. Luis de la Fuente esperou. O jogo passou muito tempo apertado, com dois blocos parados no meio-campo à espera de que o outro tropeçasse.

A Espanha tropeçou primeiro na cabeça do treinador, e resolveu com o banco. Mikel Merino entrou aos 76 e marcou aos 79. A jogada nasceu num lançamento paciente até Ferran Torres, que também vinha de suplente e conheceu tempo para escolher o passe. O resto foi um choque no relvado e mais outro nos ecrãs por Portugal fora.

Portugal ainda tentou responder. Bernardo Silva teve dezasseis minutos para deixar uma marca, Renato Veiga aguentou-se numa noite em que o meio-campo espanhol foi ganhando terreno sem pressa. Faltou o último passe. Faltou o segundo tempo que muita gente esperava desde o Euro. Falta agora explicar aos filhos que a bola nem sempre entra.

A Espanha caminha para os quartos, calma como sempre esteve. Portugal caminha para casa, com muito para pensar.

EUA 1-4 Bélgica

Do outro lado do quadro, em Seattle, houve um jogo grande e uma exibição maior. Foi um dia em que ninguém em Portugal quis olhar para o Lumen Field, mas a partida merece registo.

Os EUA arrancaram melhor. Malik Tillman abriu o marcador cedo e por breves minutos o estádio acreditou. Foi tempo suficiente para deixar uma foto e nada mais. Charles De Ketelaere apareceu com um bis, Hans Vanaken juntou-se ao festival e Romelu Lukaku fechou as contas de suplente, já em modo cruzeiro.

O nome maior da noite foi mesmo o do 10 belga. De Ketelaere assinou ainda uma assistência. Hans Vanaken também. Nicolas Raskin e Leandro Trossard completaram os passes decisivos. A Bélgica que muita gente tinha dado como uma equipa em quebra apareceu com futebol e com alma.

Os EUA saem do seu próprio Mundial em casa. A Bélgica segue e passa a ser um dos nomes que ninguém quer apanhar nos quartos.

Adeus e boa noite

O quadro dos quartos começa a arrumar-se sem o número 7 na equipa titular. Espanha vs Bélgica é um jogo grande, é dois candidatos, é um daqueles cruzamentos que dão manchete. Só que hoje, para nós, é também um recado do que já não faz parte da nossa história neste Mundial.

Quem tinha o plantel cheio de portugueses tem transferências pesadas para fazer. Quem andava a olhar para o quadro tem escolhas duras e limpas para tomar. A ronda dos quartos abre já esta semana e não vai esperar por ninguém.

Fica esta noite para respirar. Amanhã volta o Mundial. Ainda há duas selecções por decidir os oitavos, ainda há uma final para acontecer, ainda há muita gente com plantel a apostar. Nós ficamos aqui, a acompanhar tudo, com a bandeira dobrada com respeito num canto da sala.

Até amanhã.

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